Pix Copia e Cola: o que está codificado dentro daquele texto

A estrutura do payload do Pix, a diferença entre QR estático e dinâmico, e como verificar para quem você está pagando antes de confirmar.

O “Pix Copia e Cola” é aquele bloco de texto que começa com 00020126 e termina com quatro caracteres aparentemente aleatórios. Ele não é criptografado nem embaralhado: é um formato aberto e documentado, e dá para ler o que há dentro.

O formato: tipo, tamanho, valor

O payload segue o padrão EMV QR Code, o mesmo usado internacionalmente em pagamentos por QR. A estrutura é uma sequência de campos, cada um com três partes:

[ID de 2 dígitos][tamanho de 2 dígitos][valor]

Por exemplo, 5303986 se lê assim: ID 53 (moeda), tamanho 03, valor 986 — o código ISO 4217 do real.

Os campos vêm encadeados, um após o outro, sem separador. Como cada um declara o próprio tamanho, o leitor sabe exatamente onde termina um e começa o outro. Campos podem conter outros campos aninhados, seguindo a mesma regra.

Os campos principais

ID Conteúdo
00 Payload Format Indicator — sempre 01
01 Point of Initiation — 11 estático, 12 dinâmico
26 Merchant Account Information — bloco do Pix
52 Merchant Category Code — ramo de atividade
53 Moeda — 986 para real
54 Valor da transação
58 País — BR
59 Nome do recebedor — até 25 caracteres
60 Cidade do recebedor — até 15 caracteres
62 Additional Data — contém o identificador da transação
63 CRC16 — sempre o último campo

O campo 26 é o que torna o código um Pix. Dentro dele há dois subcampos: 00 com o valor fixo br.gov.bcb.pix, que identifica o arranjo, e 01 com a chave Pix do recebedor.

Nome e cidade precisam estar em ASCII sem acentos e em maiúsculas. É por isso que o nome do recebedor aparece como “JOAO DA SILVA” mesmo quando cadastrado como “João da Silva” — o gerador de QR Code Pix faz essa normalização automaticamente.

Estático e dinâmico

QR estático (01 = 11) carrega todos os dados dentro do próprio código: chave, nome, cidade e, opcionalmente, valor. Funciona offline, pode ser impresso e reutilizado indefinidamente. É a opção certa para a placa no balcão de uma loja ou para receber de um conhecido.

Se o valor for omitido, o pagador digita a quantia. Se estiver preenchido, o app já abre com o valor travado.

QR dinâmico (01 = 12) não carrega os dados da cobrança. Ele carrega uma URL que o aplicativo do pagador consulta no momento do pagamento, e é o servidor do recebedor que devolve valor, vencimento e identificação.

Isso permite o que o estático não faz: cobrança com valor único por transação, vencimento, juros e multa após o prazo, conciliação automática por pedido e expiração do código. É o formato usado em e-commerce e emissão de cobranças.

A contrapartida é que o dinâmico exige integração com um PSP — um banco ou instituição de pagamento — e não pode ser gerado apenas com o texto do payload.

O CRC16 no final

Os últimos 4 caracteres, precedidos de 6304, são um CRC16-CCITT-FALSE calculado sobre todo o restante do payload, incluindo o próprio 6304.

O algoritmo usa polinômio 0x1021 e valor inicial 0xFFFF. Sua função é detectar corrupção: um único caractere alterado — por um copiar e colar mal feito, um caractere invisível colado junto, uma quebra de linha — muda o resultado e faz o aplicativo rejeitar o código.

É por isso que um Pix Copia e Cola editado manualmente quase nunca funciona: mesmo que a alteração seja válida em estrutura, o CRC deixa de bater.

Verificando antes de pagar

O payload é legível, mas isso não significa que você deva confiar nele. A defesa correta está no aplicativo:

Confira o nome do recebedor na tela de confirmação. Esse nome não vem do QR Code — vem do sistema do Banco Central, a partir da chave Pix. Um golpista pode escrever qualquer coisa no campo 59 do payload, mas não consegue alterar o nome que o seu banco exibe.

Se o nome na confirmação for diferente da pessoa ou empresa que você espera pagar, não conclua a transação. Essa checagem simples neutraliza a maior parte dos golpes com QR falso.

Também vale conferir o valor na tela do app, especialmente em códigos estáticos recebidos por mensagem.

O QR Code em si

O padrão do Pix determina o conteúdo; a codificação visual é um QR Code comum. Payloads maiores geram códigos mais densos, e é por isso que descrições longas no campo 62 produzem QRs difíceis de ler em impressão pequena.

Para gerar QR Codes de outros tipos — link, texto, rede Wi-Fi —, o gerador de QR Code cobre esses casos.

Este guia descreve a estrutura definida no Manual de Padrões para Iniciação do Pix, publicado pelo Banco Central. Campos e regras podem ser atualizados em novas versões do manual.

Ferramentas citadas neste guia

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